Por mês, os homens desembolsam R$ 54,07 para ficarem mais bonitos. Na classe C, 27% fazem limpeza no rosto Prestação do carro, cerveja com os amigos, ingresso para o Maracanã e... salão de beleza. É isso mesmo: no orçamento doméstico — e na agenda — de muito chefe de família há tempo e dinheiro para os cuidados com a aparência. Para se ter uma ideia, 79% deles não saem de casa sem perfume, enquanto 24% usam creme para hidratar o rosto, segundo pesquisa do Ibope Mídia.
Por isso, o mercado está de olho nesses deuses da beleza, os Adônis contemporâneos, que desembolsam uma média de R$ 54,07 por mês para ficarem mais bonitos. Uma pesquisa encomendada por O Boticário, com homens de 25 a 45 anos, mostra ainda que os itens mais consumidos são perfumes, produtos para cabelos e barba, além de desodorantes.
— As vendas de artigos masculinos, de janeiro a agosto do ano passado, foram 25% maiores do que as registradas no mesmo período de 2008 — disse Fabio Gilioli, gerente de O Boticário. Quando se fala em classe C, os números também provam que a vaidade não vê o saldo da conta corrente. De acordo com o estudo do Ibope Mídia, 35% dos entrevistados usam creme para pentear e 27% fazem limpeza facial.
Os serviços também pegam carona nessa tendência. A rede Spé, o Spa do Pé, por exemplo, já registrou aumento da procura de homens de menor renda pelos serviços. Segundo o fundador da cadeia, Luiz Pedreira, dos 36 mil clientes que frequentam as lojas todo mês, seis mil (16,6%) são da classe C. Por conta dessa procura, a rede, que concentrava seus pontos na Zona Sul, abriu quatro lojas nas zonas Norte e Oeste da cidade. Nesses locais, os clientes pagam preços 20% menores.
— O pacote de serviços básicos, que inclui tratamento de calo, unha e hidratação do pé, custa R$ 45 — explicou.
Pêlos e preconceito arrancados pela raiz Especializada em depilação masculina, a Poko Pello, de Copacabana, realiza 400 depilações de barba por mês em marmanjos que pagam R$ 25 pelo serviço. O rosto liso, livre dos pelos encravados, e o tempo maior entre as sessões, segundo eles, se obrepõem à dor do procedimento, o mais procurado na unidade, que começou com 300 clientes e hoje tem 2.300.
— Em 1998, o consumidor chegava de fininho. Ele tinha vergonha de entrar. Agora, não tem mais o tabu de ser um serviço voltado somente para gays. O preconceito diminuiu — contou Luana Saraiva, assistente de marketing da loja, que ainda oferece depilação de abdome, tórax, pernas, axilas e nádegas.
O estudante Edson Oliveira Ferreira, de 21 anos, é um dos que aderiram à cera, dando adeus à lâmina de barbear:
— O resultado é maravilhoso. Como sai pela raiz, meu rosto até ficou mais claro.Cabelo e pele em dia No Walter’s Coiffeur do Norte Shopping, de 30% a 40% da clientela é formada por homens, cada vez mais interessados em manter o corte de cabelo, fazer limpeza de pele e tratamentos capilares, como alisamentos e relaxamentos para reduzir o volume.
— Eles também estão consumindo mais xampus antioleosidade — afirmou a gerente, Denise Mendes.
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Edson Oliveira Ferreira
21 anos, estudante
Há três anos, resolvi depilar a barba com cera, porque a lâmina deixava o pelo muito encravado. Doeu, mas valeu a pena. Também gosto de usar xampu para cabelos crespos, sabonete esfoliante e creme de limpeza para o rosto. As mulheres gostam de homens cheirosos. Podem até ser feios. Elas valorizam quem se cuida.
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José de Carvalho
40 anos, comerciante
Corto o cabelo todo mês e faço massagens e tratamento contra o ressecamento dos pés. Quando saio para visitar algum cliente, sempre passo protetor solar. No salão, também corto a unha das mãos. Gosto de me cuidar. O benefício é maior do que o custo. Agora, minha mulher quer que eu faça limpeza de pele, mas falta tempo para isso.
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Créditos da matéria:
Repórteres: Danielle Abreu (
dabreu@extra.inf.br) e Valéria Maniero (
valeria.maniero@extra.inf.br)
Fotos: Wania Corredo
Arte: Ricardo Cunha Lima